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Web e eleições – proibições e restrições

1 Oct

Estava conversando no Twitter, com @pathaddad, a minha carioca favorita, e percebi que a maioria das pessoas não deve fazer muita idéia da lei eleitoral em relação a web. Existe uma conclusão de que “é tudo proibido”, simplesmente porque quem fez a lei é bobo, feio e tem cara de melão. Mas não é bem assim.

Claro que não sei tudo sobre o assunto, e muito dependo do departamento jurídico de onde trabalho. Mas como sou Assessor de Comunicação de Orgão Público, mesmo que não me envolva na campanha, a lei eleitoral acaba afetando o meu trabalho, portanto procuro estar bem informado.

Não é proibida “toda e qualquer” ação web dos candidatos. Não é proibido que eles tenham um blog. O que acontece, é que eles só podem ter UM blog. E esse blog será classificado como site pessoal, ferramenta de comunicação da campanha, não pode ser vinculado ao site do partido, e deve seguir algumas regras impostas pelo TRE e TSE. Vejo muitos comunicadores reclamando que não podem fazer o que o Obama faz, de usar milhares de ferramentas (como o Twitter), para falar sobre o que o seu candidato faz. Mas eu não vi nenhum dizendo que vai colocar a prestação de contas da campanha em algum site. Isso é permitido, mas não parece interessante…

Usando o Orkut e banners na propaganda eleitoral

Não é proibido o candidato ter um perfil no orkut. É proibido ele ficar mandando scraps em massa. Ele pode ter um perfil em que fale da sua candidatura, um perfil pessoal, mas ele não pode invadir a privacidade dos outros, colocando propaganda sua em espaço alheio, gerando constrangimentos por, por exemplo, alguém que não vá votar nele e apague o scrap. Isso seria um indício de que a pessoa não votaria naquele candidato, acabando com o segredo do voto.

Existem várias outras restrições e proibições, como a não possibilidade de usar banners em sites para promover a candidatura. Isso acontece por falta de previsão em lei, já que parte das campanhas são financiadas com dinheiro público, há de se manter um certo controle… E torçam para continuar desse jeito, ou… Horário Eleitoral Gratuíto em Rádio, Tv e Internet?

E para finalizar, quero dizer que um dos maiores motivos para isso, não é o fato de quem faz a lei ser mau. Um dos motivos, e segundo alguns palestrantes de eventos sobre a lei eleitoral e a comunicação, seja a falta de condições para se fazer uma fiscalização eficiente, preservando o processo eleitoral democrático e o mais igual possível para todos os candidatos.

A diferença do marketing político no 4 de Julho

4 Jul

Como já foi dito aqui, atualmente, a internet é uma das mais importantes ferramentas do marketing político americano. A equipe de Obama foi muito feliz por notar isso primeiro, e tem uma larga vantagem. Mas acredito que eles só fizeram isso, porque têm uma qualidade que parece apagada na equipe do seu adversário: Eles pensam antes de fazer as coisas.

Não estou dizendo que a equipe do McCain seja burra. Não é isso… Eles tem feito “direitinho”. A equipe do Obama é que tem feito “bem demais”. Eles não inventaram nada, apenas usam de uma maneira incrível!

Pretendo não me extender muito, portanto já mostrarei as imagens que estão no site de cada um, em alusão ao feriado mais importante deles, o 4 de Julho:

No site do John McCain, está aquela coisa normalzinha, do tipo: “Tenha um feliz quatro de julho”, que no caso foi colocado junto com um “safe”, e uma lembrança sobre as tropas americanas. Nada mais normal e óbvio.

Mas o Obama não. Ali eles relacionaram o 4 de Julho, com a campanha deles: “150.623 cidadãos declararam sua independência de um sistema quebrado”. E eles fizeram isso, doando ao menos 15 dólares para a campanha do Obama.

A equipe democrata pegou o 4 de Julho e usou para motivar as pessoas a doarem dinheiro para a campanha de um candidato que recusou o dinheiro público para financiamento de campanha.

Consegui me fazer entender? Por essa (e muitas outras), que digo que o pessoal do Obama faz algo que o pessoal do McCain parece não fazer: pensar antes de agir.