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Funcionários Guerreiros e Empresas Sábias

2 Apr

ghandi

O segundo assunto que o “Roda e Avisa” me fez pensar: como algumas pessoas devem ser verdadeiros “guerreiros” por trabalhar em certas empresas. Isso não foi o tópico de nenhum dos podcasts (dos que eu ouvi, ao menos), mas quando o René de Paula Jr fala que está ido para a Microsoft, lembrei de uma palestra que vi da melhor jornalista de política do Brasil: Ana Amélia Lemos.

Foi o primeiro evento para Assessores de Comunicação de Municípios que fui, quando eu era um deles. E foi muito engraçado, pois era uma ótima oportunidade para que todos so assessores presentes aprendessem mais sobre como se relacionar com uma grande empresa de comunicação. Mas o que aconteceu? Grande parte dos assessores que teve a oportunidade de fazer perguntas, como era muito inteligente e esclarecido, resolveu atacar a RBS (empresa onde a Ana Amélia trabalha), ao invés de fazer perguntas interessantes.

O mais engraçado é que durante a palestra, antes da abertura do espaço de perguntas, ela já tinha dado a palestra toda na defensiva. Tudo que a RBS fazia, era sempre justificado. Isso quer dizer que ela já havia sido hostilizada várias outras vezes. E isso não acontecia por alguém questionar a sua competência, mas por acharem que a empresa onde ela trabalha era coisa do capeta.

E o René de Paula Jr, trabalha na Microsoft. Imagine quantas vezes ele também passou por essa situação. Pessoas que tem que defender a sua empresa, não dos concorrentes, mas dos próprios consumidores (e dos consumidores dos concorrentes), simplesmente porque as pessoas acham que ela é maligna. Sem nenhuma razão racional.

Aprendendo com os acertos dos outros

Eu, particularmente, gosto muito da MS. Como disse várias vezes no Twitter, “Eu sou um PC”. E eu não consigo entender por que quem gosta de Mac (mas principalmente quem gosta de Linux), tem que odiar a empresa do Bill Gates.

Ou por que as pessoas tem que odiar, desrespeitar, diminuir e ignorar o que é diferente? O Windows não é perfeito, assim como o MAC OSX e o Linux. Mas o sistema operacional da Microsoft está aprendendo com os seus erros e com os acertos do adversário, sendo clara a influência de algumas das coisas boas do OSX no Windows 7. Os outros não. Testei a versão beta e, se melhorar um pouco mais, vira a melhor versão do sistema operacional (o beta já estava ótimo!).

Evoluiríamos muito mais rápido, se todas as pessoas tivessem a atitude que a MS teve, de olhar o que é bom, de buscar o que funciona, até mesmo em seus antagonistas. Porque nenhum pensamento, nenhuma empresa, nenhuma pessoa é totalmente ruim. É preciso deixar de ser intolerante e aprender a extrair o melhor das oportunidades.

E como disse Ghandi: “O inteligente aprende com os seus erros. O sábio, com os erros dos outros.”

Intolerância e um radinho…

1 Apr

radio

Estava ouvindo o Roda e Avisa, podcast do René de Paula Jr, e ele me fez pensar em duas coisas. Como não são complementares, vou escrevê-las em dois posts diferentes. A primeira é “O Radinho de Pilha”.

Cara, eu participei daquilo! E não falo isso com orgulho… De todas as listas de discussão de que participei, acho que esta era a que tinha mais gente rude e intolerante. E olha que eu já participei de muitas listas.

E não falo isso por alguém ter me xingado, ou coisa parecida. Não foi comigo que isso aconteceu, mas por várias vezes vi pessoas sendo xingadas, ou porque não colocaram um tópico relevante, ou porque discordavam de alguém que, teoricamente, tinha mais conhecimento no assunto (também conhecido como “mais famosinho”).

E lembro do motivo que foi a gota d´agua que me fez sair: um cara postou um tópico e a galera não gostou. Ele seguiu as regras, colocou [off topic], pois era um assunto “pessoal”, e mesmo assim os “defensores da relevância” (que geralmente são pessoas que nunca iniciam uma discussão), desceram o sarrafo no cara. A hora que eu disse que eles estavam se preocupando demais e exagerando na reação, veio a seguinte resposta: “Da próxima vez, guarda a tua opinião pra ti.” – nessas palavras, ou em palavras parecidas.

Intolerância: Assim é na Web e no “Mundo Real”

E isso me lembra, também, de quando fui no último Fórum Social Mundial que teve em Porto Alegre. Aquele foi o evento que fez com que eu me decepcionasse com a esquerda brasileira. Fui todo feliz, e vi casos extremos de intolerância:

Primeiro: Um mendigo estava sentado na rua, com uma laranja e um canivete na mão. Descascou a laranja e jogou a casca no chão. Um cara cheio de camisetas a favor da educação universitária para todos, e que eu tinha visto em uma das discussões mais bobas do fórum, xingou o mendigo porque ele estava “sujando uma cidade tão bonita”.

Segundo: Eu vi os caras com a bandeira do PSDB sendo hostilizados, com pessoas ameaçando bater neles. Vi a rodinha se fechando em volta e se dispersando com a chegada da polícia. Não estou defendendo o PSDB, assim como esse fórum me fez perceber que não devo defender partido nenhum. Mas a democracia que sempre foi defendida pelos partidos (eram vários) representados pelas pessoas que hostilizavam os “tucanos”, não prega o direito de TODOS se expressarem?

Então eu escrevi tudo isso, porque gostaria comecei a refletir que existe muita cobrança das pessoas que “estão na vanguarda”, que lutam contra o que é “tradicional e atrasado”, de que todos devemos ser tolerantes e compreender o pensamento dos outros. E que é preciso tomar muito cuidado, quando se é uma pessoa dessas, porque, geralmente, a convicção de que se tem um pensamento moderno vem acompanhada de uma maturidade ilusória.

Amadurecer é agir de acordo com o que se fala, não importando se os impulsos te jogam contra. Democracia é a convivência de opiniões diferentes, e não a concorrência delas. E discussão (como o Radinho se propunha a ser) é a troca de argumentos que podem (mas não, necessariamente vão) levar a uma conclusão comum. E é preciso ouvir todos os lados. Frases como “Guarda a tua opinião pra ti.”, não podem fazer parte.