Não gosto como protesta a maior parte da blogosfera

5 Sep

Reprodução de parte do contrato da Abril Blogs:

9. Publicidade nos blogs

O Usuário concorda que a Abril pode publicar banners e/ou anúncios publicitários nos blogs que utilizam sua ferramenta de publicação.

Esses anúncios podem ser da Abril, dos produtos e serviços da Empresa, ou ainda de qualquer terceiro a quem a Abril tenha cedido espaço publicitário, a seu exclusivo critério.

10. Direitos autorais

[...]

A Abril é proprietária de todas as compilações, trabalhos coletivos ou derivados criados pela Empresa, e que podem, eventualmente, incorporar o conteúdo dos blogs criados pelos Usuários.

O Usuário concede licença de uso irrevogável, perpétua, global e livre de royalty para uso, exposição pública, publicação, exibição pública, reprodução, distribuição, transmissão, adaptação, alteração e promoção de seu conteúdo publicado nos blogs em qualquer mídia da Abril.

Cita quase no fim do seu post Marcelo Träsel. Mas ele é um dos poucos, que faz isso. E, sinceramente, acho que ele deveria ter começado com essa citação, e não terminado com ela.

O post é ótimo. Ele é coerente, bem escrito e sabe informar. E ele me mostrou que a maior parte da blogosfera só sabe reclamar, e acha que é a mesma coisa que protestar.

Abril Blogs

Essa é uma iniciativa da Editora Abril, que visa criar uma rede de blogs, com blogueiros “vips”, baseados em um serviço de hospedagem e disponibilização de sistema, de blogs, aberto a qualquer usuário. Tipo um Wordpress.com, só que da Abril.

Então eles convidaram alguns blogueiros, como por exemplo o autor do Martelada, e pediram para que ele transferisse o seu blog para esse sistema, e em troca ele teria acesso a conteúdo exclusivo, informações em primeira mão, participação gratuíta em workshops, etc.

Mas é óbvio que ele teria que dar algo em troca: o seu conteúdo poderia ser usado, gratuíta e livremente, pela Abril, quando ela bem entendesse. E o espaço publicitário de seu blog estaria a disposição da Abril, e ele não poderia incluir anúncio nenhum.

Pouquíssimas pessoas…

… tiveram uma atitude como a do Marcelo, de expor e explicar por que é um problema. Principalmente no Twitter, os blogueiros se concentraram em dizer que a editora era ridícula.

Ao contrário do Marcelo, que se preocupou em mostrar trechos do contrato para justificar sua opinião, e para ALERTAR os outros usuários da internet, “convidados vip” ou não, a maioria só se prestou a dizer que a Abril era feia, boba e com cara de melão. O que é uma atitude muito comum.

Não acho que a Abril faz certo, mas não sei se a “area vip” é uma coisa que afundará o projeto

Pois o que várias pessoas que estão na blogosfera há tempo não percebem, é que elas se consolidaram num período de menor atividade blogueira. Eles são bons, na sua maioria, porque muitos não eram e foram esquecidos. Mas para muitas pessoas que começaram agora, ou há pouco tempo, isso pode ser algo vantajoso.

Para começar, os workshops devem valer alguma coisa. Se a Abril pretende ganhar dinheiro em cima dos blogs, ela deve querer que eles tenham qualidade, de outra forma não criariam a tal da “area vip”. Se for com o Diogo Mainardi, imagino que o título seja: “Aprenda como sou e seja diferente: aprenda a não ser um babaca”.

E depois, para muitos, a exposição que isso pode gerar, deve ser interessante. A Abril diz que não vai te pagar nada, nem pedir autorização, mas ela precisa citar a autoria do material, mesmo que ela adapte. Isso vale para quem está começando, e busca mais visibilidade.

E o jeito certo de protestar

Na minha opinião, não é ficar reclamando que a Abril está querendo explorar as pessoas. Mas é claro, dizer que você acha isso um absurdo (se acha), e explicar para as pessoas que, caso elas resolvam fazer parte disso, a Abril poderá usar o conteúdo produzido por ela, sem pagar nada. Como a Abril vende o Abril Blogs, citando as vantagens, quem é contra deve apresentar as desvantagens e deixar que cada usuário decida.

E por isso acho que o Marcelo deveria ter começado pela reprodução daquela parte do contrato, que ele citou e eu reproduzi no começo deste post.

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